quarta-feira, 7 de abril de 2010

Slow Down x Culto à urgência



Na Você SA, a entrevista com José Carlos Moreira, presidente do Instituto de Marketing Industrial (IMI), fala sobre o "mal do culto à urgência". O artigo chama a atenção para este mal que tomou conta de nossa sociedade e que tantas consequencias tem nos trazido: dos problemas econômicos- a busca pelo lucro rápido e grande; passando pelo ambiental - o progresso à custa da devastação; pelo social - celebridades instantâneas; até as físicas e emocionais- doenças da alma e psicossociais, como fruto da pressa, da solidão, da falta de estima e da desconexão com o sagrado, do tudo pra ontem...

Fiquei refletindo sobre isso. Nunca a Sociedade da Informação e do Conhecimento precisou tanto de pessoas e seus capitais intelectuais. Aprender a aprender. Aprendizagem contínua. Inovação. Ruptura de Paradigmas. Essas são as fontes de renda e riqueza de hoje e cada vez mais do futuro. Aprender a aprender e desaprender continuamente. O ciclo da aprendizagem em adultos se dá de forma simples (não simplista)! Vivência - Análise - Conceituação e Aplicação. Não há outro caminho. Fazemos, experimentamos, vivenciamos. Temos resultados, bons ou ruins. Formamos paradigmas, conceitos, "verdades" e passamos a agir "generalizando" este conceito para tudo em nossas vidas, cristalizamos e repetimos, repetimos... Mais do mesmo, sempre.

Sem a fase da Análise, da reflexão, da ponderação, nos tornamos automatos. Para analisar, é preciso ter tempo. Parar. O aprendizado, a mudança de nossas crenças, o desaprendizado para obtermos novas concepções exige tempo. tempo de pensar. tempo de observar. tempo de contemplar. Lembra-se que na Grécia de Sócrates os pensadores não trabalhavam? lembra que Domenico de Masio falou em ócio criativo? Observe um artesão, um artista esculpindo, lapidando, compondo, tudo requer tempo. Não é ser lento. É tempo de maturação.
Na atual cultura da urgência,onde a pressa virou um valor, a mudança tornou-se uma constante em nome da necessidade de inovar, de atender clientes, mas a que preço? As pessoas não pensam. Não param. Não refletem. Não aprendem. O que fizemos? Por que fizemos? Como poderíamos ter feito melhor? O que poderia ser diferente? O que deu certo? O que faltou? Em nossa prática profissional, seja no Coaching ou na condução de treinamentos, o que fazemos é tão somente isso (claro que com preparo, com técnica, com muito estudo), ajudar as pessoas, equipes e organização a pensar. Quase sempre temos as respostas. sabemos por onde ir. Basta parar e pensar. Ouvir sua voz interior, sua consciência...
Fechando esta temática, recebi da amiga Ana Arrigo, do www.tudoparabebe.com.br, um power point que fala sobre o SLOW DOWN, movimento surgido na europa como contra ponto ao Fast Food - slow food, slow europe, slow atitude. Lá fala-se que a Volvo, empresa sueca, que produz, entre outras coisas, motores de propulsão para a NASA, não implementa nenhum projeto que tenha menos de 2 anos. Tudo é pensado e ponderado. Analisado cuidadosamente. Não sei se é verdade, mas é uma possibilidade.
Lygia Fagundes Telles comentou surpresa como o Paulo Coelho podia fazer tantos livros em tão pouco tempo. Ela leva cerca de 5 anos para escrever seus romances. pensei em Cora Coralina, uma vida para publicar. Em Chico Xavier, 30 anos para publicar Parnasos de Além túmulo...
Minha mãe, católica que só, me ensinou desde criança: "Filha, o homem para se lapidar e poder chegar ao céu, precisa se melhorar todo dia um pouco. Antes de dormir, ora e medita. O que melhorei hoje? Fiz algo de errado ou ruim para mim ou para alguém? Se sim, pensa em consertar amanhã antes de querer seguir".
Poderíamos levar isso para as empresas e ajudar nossos trabalhadores a pensar. Analisar andragogicamente. Quando a gente é parte da solução, se compromete muito mais. video

Um comentário:

  1. como dizia kid abelha no inicio dos anos 80:
    EU TENHO PRESSA E TANTA COISA ME INTERESSA, MAS NADA TANTO ASSIM.
    nada tanto assim...
    na nossa pressa só nos interessamos pelo que é mais pratico e facil
    quantas vezes me percebo ouvindo uma epssoa já antecipando a resposta que vou dar e a despedida?
    quando foi que me tronei esta dscabelada que corre das 6 ás 19 e depois se enfia em casa com o focinho no computador?
    pois teve uma época em que eu ía na casa de uma tia tomar café e comia uma baciada de bolinho de chuva e coloava a conversa em ordem
    e na semana segui nte tinha mais
    e que saia pra passear de bici...
    que tinha tempo pra ler debaixo de uma arvore.
    todo começo de ano me prometo brecar
    sem conseguir
    nada que e SLOW combina comigo infelizemnte
    bj
    lilly

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